Torturada por Ustra na ditadura repudia discurso de Bolsonaro

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“Um golpe à democracia”. Assim, com estas palavras, Maria Amélia de Almeida Teles, ou Amelinha, como é mais conhecida a ativista, define o discurso do deputado Jair Bolsonaro (PSC/RJ), durante a sessão que aprovou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, no último domingo, na Câmara dos Deputados. O parlamentar, ao votar favoravelmente pelo impedimento, prestou reverência ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) entre 1970 e 1974.

Em 28 de dezembro de 1972, Amelinha foi presa pela Operação Bandeirantes, em São Paulo, ao lado do marido, da irmã grávida e dos filhos pequenos – Janaína e Edson Teles, com 5 e 4 anos na época. No cárcere, foi torturada diretamente por Ustra, assim como toda sua família. Os filhos viram de perto a crueldade e os ferimentos resultantes das sessões sofridas pela mãe.

Morto vítima de um câncer em outubro do ano passado, Ustra era o único torturador da ditadura assim oficialmente considerado pela Justiça. Em agosto de 2015, o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra Ustra pela morte do militante comunista Carlos Nicolau Danielli, sequestrado e torturado nas dependências do Doi-Codi, ao lado de Amelinha. Mas não houve tempo para que respondesse pela acusação.

“Sofri várias violências sexuais”

Em um dos relatórios da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Amelinha dá o seguinte depoimento: “Tive os meus filhos sequestrados e levados para sala de tortura, na Operação Bandeirante. O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra pegou nas mãos de meus dois filhos – Edson Teles, à época com 5 anos, e Janaina, com 4 – e os levou até a sala onde eu estava. (…) Inclusive, eu sofri uma violência, ou várias violências sexuais (…) E os meus filhos me viram dessa forma. Eu urinada, com fezes. Enfim, o meu filho chegou para mim e disse: ‘Mãe, por que você ficou azul e o pai ficou verde?’. O pai estava saindo do estado de coma e eu estava azul de tanto… Aí que eu me dei conta: de tantos hematomas no corpo”.

Pedro Willmersdorf – Extra