Sully é um Clint Eastwood menor mas acima da média de Hollywood

Com boa atuação de Tom Hanks, filme vai além de celebrar o piloto ‘herói do rio Hudson’. Estreia no Brasil havia sido adiada após queda de avião da Chapecoense.

É notável o esforço que Clint Eastwood faz para “Sully: O herói do rio Hudson” parecer pior do que é (ressalvas a seguir). Mas o filme – que estreia nesta quinta-feira (15) depois de ter sido adiado por causa da queda do avião da Chapecoense – sobrevive a seus defeitos de fabricação (e de ambição). Não se engane: o foco é menos o milagroso pouso de avião (história real) e mais a briga do piloto para provar que não fez besteira.

Mesmo sem ser obra-prima, “Sully” faz seus 96 minutos passarem sem esforço algum por parte do espectador. É tenso comovente e didático sem que as imagens e os diálogos fiquem a toda hora implorando para que o público sinta verdadeiramente toda essa tensão, comoção e sensação de sabedoria.

Sabe a gritaria, a correria, a verborragia e a mania de grandeza associadas pejorativamente ao adjetivo “hollywoodiano”? “Sully”, que é cotado a receber indicações ao Oscar (difícil que ganhe), não tem nada daquilo lá – à exceção do final cafona, mas tolerável.

E reforça este ensinamento banal e clichê, mas importante: na prática, a teoria é outra. Por mais que computadores apontem que o certo é X, às vezes é justo dar algum crédito ao cidadão que se decide por Y. Não por teimosia ou por instinto rebelde. Mas por quilometragem de voo e de vida.

Está mais perto do erro quem acha que sabe tudo porque supostamente leu tudo e previu tudo do que quem admite a própria ignorância e não descarta o acaso. Não é contar com a sorte. É contar com a possibilidade de que nem manuais são bíblias nem máquinas são deuses.

g1

15/12/2016

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