Professora acusa homem de estupro dentro de cinema de shopping em SP

Mulher de 35 anos alega que agressor tocou ‘suas partes íntimas’ enquanto se masturbava. Estuprador não identificado fugiu durante sessão do filme ‘A Chegada’. Ela registrou boletim de ocorrência e denunciou caso no Facebook.

Uma professora de 35 anos acusa um homem de aproximadamente 50 de tê-la estuprado no último domingo (18) dentro da sala de cinema de um shopping da Zona Sul de São Paulo, durante a sessão do filme “A Chegada”. O agressor, que não foi identificado, fugiu após outros clientes perceberem que ele se masturbava enquanto tocava as “partes íntimas” da vítima.

A mulher comentou o crime em seu perfil no Facebook. Lá, ela postou fotos do boletim de ocorrência que registrou no 16º Distrito Policial (DP), na Vila Clementino. O caso foi registrado na Polícia Civil como estupro porque, pela lei atual, qualquer ato libidinoso pode ser caracterizado como esse tipo de crime. Ela criticou a gerência do cinema nas redes sociais, ao escrever que ela foi “negligente”.

Segundo o boletim de ocorrência, a professora contou que “um indivíduo desconhecido sentou-se do seu lado, tirou o pênis para fora e começou a se masturbar”. Em seguida, a mulher contou que ele passou “as mãos nas pernas” dela e “começou a acariciar suas partes íntimas, porém não houve conjunção carnal”.

Ainda de acordo com o relato da professora à polícia, um casal percebeu o que o agressor fazia e um homem “se levantou e gritou: ‘Você está se masturbando’”. Depois, o estuprador “levou um tapa no rosto” e “saiu correndo”, sendo “perseguido por outras pessoas”, mas conseguiu “evadir-se do local”. O boletim de ocorrência não informa quem deu um tapa no agressor.

Por causa da violência sexual que sofreu, a vítima contou que “chegou a desmaiar e foi socorrida pela testemunha, que acompanhou todo o desenrolar dos fatos, para o Hospital Santa Cruz, sendo medicada e liberada”.

O registro policial informa ainda que a professora foi encaminhada ao Hospital Pérola Byington, que realiza o Projeto Bem Me Quer para vítimas de abuso, onde passaria por exames para contatar o estupro.

‘Negligente’
Pelo Facebook, a mulher deu mais detalhes do que ocorreu dentro do shopping Santa Cruz, na Zona Sul. Ela também criticou a atitude dos responsáveis pelo cinema.

“O gerente do Cinemark [rede de cinemas que fica dentro do shopping] foi muito negligente, pois várias pessoas pediram incesantemente [sic] para ele solicitar a vistoria das salas de cinema à fim de encontrar o bandido e ele somente autorizou mais de meia hora depois do ocorrido”, escreveu a professora na sua página na internet.

O desabafo acabou compartilhado por outras testemunhas que a socorreram dentro do cinema. Até esta quarta-feira (21) os internautas ainda criticavam a postura da gerência.

Em nota, a rede Cinemark afirma que “os funcionários do cinema seguiram os procedimentos para ocorrências dentro das salas e, assim que souberam do ocorrido, acionaram a equipe de segurança do shopping, que prestou atendimento à cliente.” O comunicado acrescenta que a rede de cinemas “continua à disposição das autoridades para auxiliar na resolução do caso”.

Procurado pelo G1, o shopping divulgou nota semelhante a encaminhada para internautas que falaram sobre o episódio em redes sociais. “O Shopping Metrô Santa Cruz informa que acionou os responsáveis pelo cinema que já estão tomando as atitudes cabíveis sobre o ocorrido. O empreendimento prestou atendimento à cliente, está à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento e reitera que repudia qualquer tipo de desrespeito aos clientes.”

‘Tarado’
Em uma postagem de uma outra mulher na página do shopping, ela alerta que não é a primeira vez que uma mulher é abusada sexualmente dentro do cinema.

“Estive aí quando ocorreu a situação do “tarado” do cinema que vem se repetindo sem uma atitude mais drástica por parte da administração do shopping”, escreveu a internauta.

Outros internautas contaram que souberam pela gerência que ela não conseguiu identificar o suspeito pelo estupro contra a professora ao analisar as câmeras de segurança.

No seu Facebook, a vítima contou que apesar de as pessoas conseguirem arrancar o “tarado/estuprador” de cima dela, eles não conseguiram “deter sua fuga”.

Relatou ainda que depois “estava tremendo e chorando muito de nervosa, em estado de choque, sem sequer conseguir ficar em pé”.

“Enfim, ainda estou com medo, assustada e chorando, sem conseguir dormir. O relato serve de alerta a todas as mulheres que não denunciam agressões sofridas. Muito constrangedor, eu sei, mas é importante ir buscar ajuda e denunciar”, postou a vítima.

A mulher também criticou o atendimento que teve no 16º DP. “Não bastasse tudo isso, outro constrangimento sofrido foi o fato de ter sido tratada na delegacia com desprezo e indiferença, como se eu fosse a criminosa e não a vítima”, relatou.

Outros internautas postaram que a investigação policial só deverá começar em 2017.

Delegacia de Defesa da Mulher
Procurada para comentar o assunto e as críticas atribuídas à polícia, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso está sendo investigado desde o dia 18, mas, que por causa do tipo de crime (estupro contra uma mulher), ele será apurado por uma equipe especializada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Sobre as queixas de mau atendimento, a vítima poderá procurar a Corregedoria para tratar do assunto, segundo a pasta.

Leia abaixo a íntegra do comunicado:

“A Polícia Civil informa que o caso, levado ao 16º Distrito Policial, está sendo investigado desde a data de seu registro, no domingo (18), para identificação do autor. Diante das características da ocorrência, a investigação será conduzida pela Delegacia de Defesa da Mulher. A delegada responsável contatará a vítima para continuidade na apuração. Em relação às críticas, a SSP informa que a Corregedoria da Polícia Civil está à disposição da vítima para eventual queixa”, informa nota divulgada pela SSP.

“Agora, eu estou sem conseguir dormir, mesmo com os vários remédios tomados, pois estou muito assustada e imaginando como existem pessoas ruins e doentes no mundo, além do machismo que ainda impera no Brasil e no mundo”, escreveu a professora nas redes sociais. “Confesso que eu estou com medo de ir ao cinema sozinha a partir de agora, justo eu que amo cinema.”

g1

21/12/2016

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