PAM Salgadinho e HGE escancaram o caos na saúde pública

Calma! Explico.

Quando você ouvir uma sirene alardeando pelas ruas e avenidas da capital e não for uma viatura da polícia ou do Corpo de Bombeiros, pode ter certeza que o som vem da ambulância de algum município. Elas não param. O porquê, todos sabemos: a saúde pública no Brasil está doente, em estado grave. Em Alagoas não é diferente.

Senão, vejamos:

Para que um novo alagoano, lá de Ibateguara, venha ao mundo, tem que nascer em Maceió;
Se precisa doar sangue, tem que ir até o Hemoal ou esperar que o ônibus de coleta vá até a cidade;

Se lá em Jundiá alguém cair e machucar o ombro, lá vem a barulhenta com o paciente para o HGE;
Se uma pessoa humilde, de Japaratinga, precisa de uma consulta para citologia, vem pro PAM.

O HGE, todos sabem, por mais que se faça, vai estar sempre lotado ou com capacidade acima do que pode atender com decência. A culpa, claro, cai nas costas do gestor.

A ideia deste post veio depois de ouvir a reclamação de um morador de Japaratinga, uma de Colônia de Leopoldina e outra de Ibateguara, ao saber que o PAM Salgadinho havia suspendido o atendimento por conta da confraternização dos servidores. A suspensão dos serviços pegou de surpresa até o secretário de Saúde de Maceió, Thomaz Nonô. “Quero saber quem foi o maluco que determinou que o PAM não funcione”, questionou. Para muita gente, saúde pública é isso aí.

Os três pacientes reclamaram mais dos custos com passagem e alimentação que a suspensão nos serviços. “É um absurdo. Minha esposa estava com o exame de citologia marcado. Além da viagem perdida, nós vamos gastar R$ 100, que será o valor da passagem de ida e volta”, disse seu Edvaldo da Silva, que reside em Japaratinga.

Assim como ele havia outras pessoas do interior, que por conta da má gestão na atenção básica, dormem na fila para pegar uma ficha para consultas simples.

No HGE chega de topada a dor de cabeça. As duas UPAs da capital estão como paliativos para as demandas no HGE, mas o problema está nas unidades de saúde do interior.

Os prefeitos eleitos de Maragogi, Fernando Sergio Lira, de Palmeira dos Índios, Julio Cesar, e do Pilar, Renatinho Rezende, já colocaram a saúde e reabertura de hospitais fechados como priorodade número 1, a partir de 1 de janeiro.

Sobre saúde, o governador Renan Filho me disse que em 2017 os alagoanos mais humildes já sentirão os efeitos do plano de contenção de vindas para Maceió. O Estado vai investir na construção, reforma e ampliação de hospitais em Porto Calvo (Região Norte), Viçosa (Vale do Paraíba), União dos Palmares (Zona da Mata), Delmiro Gouveia (Sertão) e Arapiraca (Agreste). Fazer unidades polos, em cidades estratégicas, certamente ajudará a desafogar hospitais e maternidades em Maceió.

Mesmo com todo investimento do Estado, a saúde pública continuará precisando do esforço dos prefeitos e prefeitas. Na maioria dos municípios a atenção básica só existe no nome. Respeito e atenção ao povo é o mínimo que os gestores podem fazer.

Que em 2017 a saúde possa bater à sua porta.

Wadson Régis-AL1

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