Mulher volta a andar e comer sozinha após cirurgia de Parkinson pelo SUS

Jucineide Morais começou a sofrer com a doença há 10 anos, aos 38 anos.
Ela foi a 1ª paciente a passar pela cirurgia via rede pública de saúde em MT.

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Após passar anos sofrendo com tremores incontroláveis e fortes dores causadas pelo mal de Parkinson, a dona de casa Jucineide Dias de Morais, de 48 anos, comemora o sucesso da cirurgia que pôs fim ao seu sofrimento, realizada há oito dias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital São Benedito, em Cuiabá. Ela foi a primeira paciente a passar pelo procedimento no estado pelo SUS.

Moradora de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, a dona de casa apenas recebeu um diagnóstico exato da doença no início do mês, apesar da doença ter começado a se manifestar há 10 anos. Ela, que ao longo do último ano, deixou de andar, beber ou caminhar sozinha, hoje recupera aos poucos a independência. “Já consigo beber, comer, me lavar, tudo sozinha. E já estou caminhando, mas ainda com ajuda e dando poucos passos, por causa dos pontos”, contou.

Quem vê a dona de casa sentada no quintal da residência onde mora, no bairro 24 de Dezembro, com um lenço enrolado na cabeça e conversando com a família, não imagina que, quatro meses atrás, ela nem mesmo conseguia se mexer na cama sem ajuda.

“Para mim, vê-la depois da cirurgia sem tremer nada, sem derrubar o copo de água que eu dei, foi como testemunhar um milagre. Eu quase não acreditei. Ela sentia tantas dores que, do jeito que a gente a colocava na cama, tínhamos que deixar, porque se você tentasse mudá-la de posição, ela sentia muita dor”, relatou Gilmar Lopes de Morais, de 49 anos, marido de dona Jucineide.

Incerteza
Os últimos 10 anos na vida da dona de casa foram marcados por lágrimas de tristeza e incerteza. Durante todo esse período, ela chegou a tomar 10 remédios diferentes por dia e a gastar de R$ 800 a mais de R$ 1 mil nas farmácias, sem ver melhoras.

A família relembra que dona Jucineide chegou a ser diagnosticada com problemas nos nervos, aneurisma, síndrome do pânico e mal de Alzheimer ao longo da última década, sem que os exames, porém apontassem nada. E a cada diagnóstico, um novo remédio era incluído na receita.

“Ela passou por biópsias, exames de sangue, tomografia e até eletrochoque, mas os resultados davam todos normais. Passamos por vários hospitais, por vários médicos, fomos até mesmo para São Paulo (SP) procurar ajuda, e nada. A cada lugar que a gente ia, era um ‘não posso ajudar’ que recebíamos”, afirmou Jackeline Leite Morais, de 27 anos, uma das três filhas da dona de casa.

O diagnóstico da doença, segundo a família, foi feito pelo neurocirurgião Jhony Soares Ramos, no início desse mês, após ser indicado por um médico consultado pela família no Hospital Geral Universitário (HGU). “Consultei com ele na quinta-feira (3) e ele me diagnosticou [com Parkinson] e perguntou se eu aceitaria passar por uma cirurgia, que ele iria ver como poderia fazer. No sábado (5) ele ligou e disse que eu já podia me internar na segunda-feira (7). Na terça-feira (8), eu operei”, disse Jucineide.

A dona de casa precisou raspar os cabelos para passar pelo procedimento cirúrgico, que foi realizado com a paciente consciente. Jucineide entrou na sala de cirurgia às 13h e saiu apenas às 22h, direto para o quarto. “Quando vi os tremores acabando, senti um alívio muito grande”, relembrou.

Desespero
Jackeline ressaltou o sofrimento da mãe e os momentos de desesperança, que logo eram seguidos pelas injeções de ânimo e fé da família. “Foram 10 anos de sofrimento, 10 anos com a gente chorando com ela, sem ter o que fazer. Vi minha mãe não querer comer ou beber, passando por momentos de constrangimento e humilhação. Em alguns dias, ela chorava bastante e pedia a Deus para acabar com essas dores. Para tudo, ela dependia dos outros”, afirmou.

Segundo a filha, um dos momentos de mais desespero da família ocorreu meses atrás, quando um médico consultado pela família citou a possibilidade de uma cirurgia para dar fim às dores e aos tremores sofridos por dona Jucineide, mas afirmou que tratava-se de um procedimento muito caro, foram do alcance financeiro da paciente.

“Ele disse que, mesmo se vendêssemos tudo o que nós tínhamos, não conseguiríamos pagar a cirurgia. Nesse dia, ao chegarmos em casa, a minha mãe chorou muito e ficamos sem chão. Ela dizia que achava que Deus tinha se esquecido dela”, afirmou.

G1

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