Metade das vagas de emprego para presos não são preenchidas em AL

No universo de pouco mais de mil vagas, apenas 514 estão trabalhando. Reeducandos precisam se apresentar voluntariamente para vagas.

Dos 2.889 reeducandos que estão no regimento aberto e semi aberto, apenas 514 estão inseridos no mercado de trabalho. De acordo com a Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), das mais de mil vagas de emprego disponíveis no setor público e privado, apenas metade estão ocupadas.

A gerente de Reintegração Social, Shirley Araújo, diz que os reeducandos precisam procurar a Seris de forma voluntária. “Nós fazemos um trabalho dentro dos presídios, para explicar que tem o Núcleo Ressocializador e que eles podem trabalhar, serem inseridos no mercado de trabalho. Mas isso precisa ser de forma voluntária, eles precisam querer trabalhar e mudar”, afirma.

É justamente que a procura precisa ser voluntária que há tanta vaga disponível. “Nós estamos fazendo um trabalho e a nossa pretensão é ter cerca de 800 inseridos no mercado de trabalho”, diz a gerente.

A gerente diz ainda que desses 514 custodiados que estão empregados, apenas quatro voltaram a cometer delitos. “A sociedade precisa entender que essas pessoas podem mudar. Menos de 2% voltam ao cometer crimes. Mas normalmente os crimes que cometem é Maria da Penha ou ligado ao tráfico, de pessoas que são usuárias e voltam ao mundo das drogas”, afirma.

Critérios
A gerente de Reintegração Social diz que há vários critérios que precisam ser cumpridos antes do custodiado conquistar uma vaga.

Além da procura voluntária, a vida carcerária é analisada, bem como o tipo de crime cometido para que atenda ao perfil do local de trabalho sem que gere transtornos.

“É feita uma análise. Os reeducandos passam por avaliação psicológica, psicossocial. Analisamos como foi a vida dele no presídio para colocarmos em uma vaga com o perfil da empresa”, reforça.

Ainda segundo Shirley, 27 empresas públicas e privadas têm em seu quadro de funcionários custodiados do regime aberto e semi-aberto. “Muitas das empresas preferem pessoas que cometeram homicídios. Porque, geralmente, os crimes de homicídios aqui no estado são passionais e o reeducando é réu primário. Ou seja, não se trata de crimes em série”, diz.

Ainda segundo a gerente, os presos passam por acompanhamento durante a permanência no emprego. “Nós temos uma equipe que acompanha essas pessas, que procura saber se elas estão indo trabalhar, sobre a assiduidade delas, se está ocorrendo algum problema”, reforça.

Medidas alternativas
Além dos custodiados que estão no regime aberto e semiaberto que podem ter um emprego, há também as pessoas que cumprem penas pecuniárias e alternativas, determinadas pela justiça. Em Alagoas, 3.700 beneficiários prestam serviços para sociedade. Desses, 40% cometeram crimes de trânsito.

“Há pessoas que cumprem essas medidas alternativas ou tem a pena substituída. O tempo que ele vai prestar serviços varia muito de acordo com o tipo de crime, pode ser um ano ou oito, isso quem determina é o juiz. Ele também determina o local onde a pessoa deve cumprir a medida. A maioria dessas pessoas se envolveram em acidente de trânsito”, afirma Shirley.

g1

18/12/2016

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