Maratona de estudos requer cuidados especiais com a saúde

Psicóloga alerta para a boa preparação na hora de prestar exames e afirma ser fundamental o descanso mental antes de qualquer avaliação

Natália Sandes, de 17 anos, enfrenta a maratona de estudos para o vestibular; psicóloga Kézia Loureiro dá dicas para evitar exageros e não prejudicar saúde Carla Cleto e jrmendonca.com.br
Natália Sandes, de 17 anos, enfrenta a maratona de estudos para o vestibular; psicóloga Kézia Loureiro dá dicas para evitar exageros e não prejudicar saúde Carla Cleto e jrmendonca.com.br

Na hora do estudo para passar no vestibular ou naquele tão sonhado concurso público, todo mundo quer um cérebro afiado, rápido. Ninguém quer ter fases de oscilação no rendimento cognitivo e nem altos e baixos no desempenho intelectual num momento tão importante da vida. Mas, com tranquilidade e uma boa dose de disciplina, esse desafio pode se tornar mais fácil do que se imagina.

Grande parte dos estudantes já cansou de ouvir que a madrugada não é o melhor horário do dia para se dedicar aos estudos, principalmente porque a essa altura já se estar cansado e haverá dificuldades para manter a concentração. E é verdade. Segundo a psicóloga da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Kézia Loureiro, a qualidade do sono determina o desempenho ao longo das provas. “As pessoas acreditam que estudar a madrugada inteira vai favorecer a assimilação do conteúdo; pelo contrário, esse comportamento não vai trazer benefício algum para a saúde física e mental”, explica.

Conforme a Fundação Nacional do Sono, normalmente, um adulto precisa dormir em torno de 8 horas por noite. Para crianças e jovens, é indicado entre 9 a 11 horas de sono. “O ideal é se for das onze da noite às seis da manhã, porque é um sono reparador. Esse sono é o que vai dar qualidade de vida para que o aluno tenha um bom rendimento ao longo do dia”, recomenda Késia Loureiro.

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De acordo com a psicóloga, o indivíduo tem que ter 4 horas ininterruptas de sono para alcançar um descanso que proporcione bem-estar no dia seguinte, uma vez que o cansaço e o sono juntos vão gerar comportamento de irritabilidade e, com isso, o desenvolvimento de problemas relacionados à convivência.

Para a psicóloga, a influência dos pais também é um grande obstáculo na maratona de estudos, principalmente para quem vai prestar vestibular pela primeira vez, pois alguns projetam em seus filhos suas realizações profissionais. Em alguns casos, isso se torna natural e sadio, mas, em outros, pode ser uma verdadeira catástrofe. “Nós precisamos entender que os nossos filhos têm caminhos, e esses caminhos serão escolhidos por eles, porque serão eles que irão trilhar”, enfatiza.

Correria e ansiedade andam de mãos dadas

“Eu nunca fui uma aluna cem por cento dedicada aos estudos, mas sempre tirei boas notas”, conta Natália Sandes, de 17 anos, uma adolescente articulada que começou a se debruçar mais sobre os livros, em função do último ano do Ensino Médio.

Quanto à maratona de estudos para o vestibular no final do ano, ela se vê desesperada, porque “o terceiro ano, por si só, já é uma cobrança muito grande, não só das pessoas com as quais eu convivo, mas de toda a sociedade, no geral. Eu escuto a torcida dos meus familiares e amigos desde a oitava série, e essa pressão gera uma expectativa enorme”.

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Sua rotina começou a mudar da água para o vinho, em 2014, quando o número de aulas e disciplinas aumentou. “Por conta do tempo, que é insuficiente hoje em dia, eu passei a comer muito lanche, sabe? Mas há um equilíbrio. Gosto de associar um biscoito com uma fruta”, disse.

A prática de exercícios físicos é o que ela sente mais falta. Natália fazia balé, e amava; mas teve que parar, por conta do ritmo frenético dos estudos. No ano passado ela começou a fazer academia durante as férias, mas quando retornou às aulas, não teve condições de continuar devido ao cansaço físico. “Quando eu chegava em casa, tinha que dormir, porque eu estava muito enfadada. Não estava sendo um exercício produtivo. Não rendia. Só que parada é pior, pois não tenho uma válvula de escape para descarregar o estresse diário.”

Embora a correria do cotidiano tenha extraído seus hobbies favoritos, o sono foi priorizado. “Acho que quanto mais cedo eu dormir, melhor para mim. Se não dá tempo de eu estudar tudo, prefiro dormir porque sei que não vou assimilar mais nada. Acordo mais tranquila e até confiante”, revela. A adolescente pretende cursar Design e quer alçar voos mais altos para fora do Brasil.

Sucesso profissional

Aliás, muitos jovens acabam escolhendo e buscando sucesso profissional, com base no resultado financeiro. Um grave erro! “Se você desempenha sua função apenas com o intuito do salário no final do mês, certamente você não será um bom profissional. A gente só alcança algo na vida quando o nosso coração está junto. O trabalho precisa ser um prazer, e não um martírio”, pontua a psicóloga Késia Loureiro.

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Segundo a psicóloga, o problema é que, no último ano de pré-concurso ou vestibular, a rotina de longas horas de dedicação e foco nos estudos é intensa, portanto, obedecer a regras e ter muita disciplina é fundamental.

A alimentação equilibrada e saudável é muito importante durante a maratona de estudos também. Prefira alimentos leves, de fácil digestão e com um bom perfil nutricional. “O que acontece, e não é muito comum, são as perdas de peso nesse processo. Ou, ainda, o ganho de peso, por conta dos lanches calóricos. À medida que o peso corporal aumenta, as taxas se alteram e, consequentemente, a qualidade de vida fica comprometida”, alerta a psicóloga.

E, para deixar esse tempo mais agradável, é interessante que o lugar de estudo seja confortável. Se a sua casa não for o melhor ambiente para manter o foco, a saída pode ser a sala de estudos da escola ou da biblioteca. Neste caso, é importante atentar ao horário de funcionamento para encaixar as tarefas no melhor período para você. “O recurso da internet, com videoaulas, é interessante para revisar conteúdos, pois o estudante acessa de acordo com a sua organização de tempo. É uma estratégia maravilhosa.”

A ansiedade também é um gatilho que pode ser usado contra o próprio vestibulando ou concurseiro. De acordo com a psicóloga, é muito importante que a família esteja atenta, já que a ansiedade é uma reação normal, mas pode se tornar patológica. “Quem está mais próximo precisa estar atento para saber se ansiedade é episódica ou processual. Se sair do caminho do normal e adentra no patológico, a família precisa buscar ajuda, porque o grande problema não é a ansiedade, mas o gerenciamento dela”, aconselha.

“Estude até o sábado à tarde, depois disso tenha uma atividade com a família, com os amigos ou com o namorado. Mas pare. Querer revisar todo o conteúdo uma semana antes da prova vai intensificar ainda mais a ansiedade. O que se pode fazer é revisar algumas questões, mas conteúdo, não. De jeito nenhum”, sugere.

Marcel Vital – Agência Alagoas