Manifestantes protestam contra ações da Polícia Militar na Ponta Verde

‘Rolezinho contra o Apartheid’ afirma que PM só revista negros e pobres. Ato é realizado neste domingo, na Av. Sílvio Viana, a ‘Rua Fechada’.

Manifestantes protestam, neste domingo (18), contra as abordagens policiais, que eles julgam violentas, na Avenida Sílvio Viana, a “Rua Fechada”, no bairro da Ponta Verde, em Maceió. De acordo com os movimentos sociais que integram o ato, além da truculência, a Polícia Militar, realiza uma espécie de “apartheid”, pois aborda apenas os negros, pobres, vestidos com camisa de times.

A reportagem do G1 tentou entrar em contato com a assessoria de comunicação da PM, mas as ligações não foram atendidas.

Um dos organizadores do ato, Magno Francisco, falou que o protesto, conhecido como “Rolezinho contra o Apartheid”, tem como objetivo abrir espaço para uma discussão mais profunda, com a sociedade alagoana, sobre as ações tomadas pelos órgãos competentes.

“Durante a alta temporada em Maceió, os órgãos são atendem aos turistas. É feito uma limpeza étnica na parte nobre da cidade. Ontem [sábado, 17 de dezembro], um grupo de jovens estavam fazendo um luau que teve que ser encerrado, sem nenhum motivo aparente”, afirma o organizador.

Francisco explica ainda que durante o ato, que sai em caminhada por todo percurso da Rua Fechada, diversas apresentações artísticas, como danças de hip-hop, declamações de poesias, ou a apresentação de um grupo de percussão, serão realizadas.

“A expectativa é que aproximadamente 300 pessoas participem até o final do ato. A manifestação também é uma resposta contra uma operação da Polícia Militar, em setembro, que deteve mais de 150 pessoas para uma revista. Sabemos bem o esteriótipo que a polícia usa para realizar as suas abordagens. Somos contra também uma reunião, realizada em 6 de dezembro, onde a PM queria proibir as pessoas suspeitas de irem à praia”, relata Magno Francisco.

O historiador Geraldo Majella, de 55 anos, também participa do ato. Ele afirma que o monitoramento da praia deve ser realizado por um órgão responsável pelo controle urbano, e não pela Polícia Militar.

“Muitos deles sofrem, das mais diversas formas, quando são abordados. Muitos deles já foram humilhados e são segregados diariamente devido às suas classes sociais, ou cor. Crianças de 13 e 14 anos estão sendo molestadas diariamente pela PM, porque estão com a camisa de torcida. A polícia não tem um planejamento estratégico, apenas obedecem aos pedidos da elite e dos comerciantes da região”, afirma Majella.

g1

18/12/2016

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