Lagarde, do FMI, é considerada culpada por negligência na França

Diretora do FMI foi acusada por ter falhado em pagamento de indenização a um magnata quando ainda era ministra das Finanças francesa.

A Corte de Justiça da República, na França, declarou culpada nesta segunda-feira (19) a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, por negligência no pagamento de uma indenização (arbitragem estatal) que concedeu 400 milhões de euros (US$ 417 milhões) ao empresário Bernard Tapie em 2008, quando ainda era ministra das Finanças francesa.

Lagarde foi indiciada em agosto de 2014 por negligência na designação de um tribunal de arbitragem privado que concedeu a indenização milionária ao empresário, conhecido por sua amizade com o então presidente francês, o conservador Nicolas Sarkozy.

Essa arbitragem deveria decidir se Tapie foi prejudicado pela venda da empresa de equipamento esportivo Adidas nos anos 1990. Segundo o empresário, essa empresa foi confiscada e vendida pelo banco público Crédit Lyonnais por um preço muito inferior ao de mercado, por isso ele pediu ao Estado uma indenização.

Após quase duas décadas de litígios, durante o mandato presidencial de Sarkozy o governo decidiu que o caso fosse resolvido por um tribunal de arbitragem, que decidiu contra o Estado e a favor do empresário.

Mas os magistrados da Corte de Justiça da República, única instância pagadora na França para julgar supostos delitos cometidos por ministros em sua etapa de governo, suspeitaram que a designação desse tribunal privado pôde ter sido decidida com intenção de favorecer Tapie.

Decisão sem sentença

Apesar da decisão, os juízes não apontaram qualquer pena para o caso envolvendo a rara decisão de Lagarde de permitir o pagamento ao empresário. Ela negou as acusações de negligência.

O advogado de Lagarde disse após a decisão que sua equipe deve apelar da decisão.

A decisão corre o risco de desencadear nova crise de liderança no FMI, depois que o antecessor de Lagarde, Dominique Strauss Khan, renunciou em 2011 por causa de um escândalo de assédio sexual.

g1

19/12/2016

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