Justiça condena réus por latrocínio contra estudante em Arapiraca, AL

Estudante foi sequestrada em Alagoas e morta no interior de PE, em 2013. Sequestro foi cometido pelo ex-marido da vítima, que se matou.

A Justiça alagoana condenou dois reús por latrocínio (roubo seguido de morte) contra a estudante Camila Silva Canuto Madruga, de 20 anos, cometido em novembro de 2013. A decisão foi proferida no dia 7, porém só foi divulgada nesta segunda-feira (12).

O juiz Alfredo dos Santos Mesquita, da 5ª Vara de Arapiraca, condenou Danilo Eduardo de Medeiros a 20 anos de reclusão, e José Adailson de Farias a 21 anos e seis meses, ambos em regime fechado.

Segundo os autos do processo, Camila foi sequestrada em Arapiraca pelos réus e pelo ex-marido dela, Shedrick Rauer Ferreira Madruga, que cometeu suicídio pouco tempo depois do crime.

A vítima foi levada à zona rural de Cachoeirinha, em Pernambuco, onde foi assassinada com dois tiros. O sequestro teria sido planejado pelo ex-marido dela, que não aceitava a separação.

Consta ainda no processo que quem dirigia o carro da vítima era Medeiros. Já Shedrick Madruga estava no banco traseiro com a ex-mulher. Em determinado momento, houve uma discussão e Shedrick teria efetuado um disparo contra Camila, que foi atingida no peito. A jovem foi tirada do carro pelo outro réu, José Adailson, que efetuou outro disparo contra a estudante.

Depois do crime, o carro da vítima foi levado por Medeiros até o Rio Grande do Norte, onde foi vendido pela quantia de R$ 1 mil. “Da apuração dos fatos narrados, verifico que os acusados auxiliaram Shedrick na prática do sequestro da vítima, tendo este resultado em sua morte e com a subtração do seu veículo”, afirmou o juiz Alfredo dos Santos Mesquita.

Para o magistrado, o pedido de desclassificação do crime de latrocínio para homicídio, feito pela defesa, não deve ser aceito, “uma vez que a violência praticada contra a vítima teve como escopo o ganho material por parte dos agentes”.

 “Quanto ao crime de sequestro, entendo que tal conduta deve ser tratada como conduta acessória em relação ao latrocínio, havendo uma clara relação entre a conduta meio (sequestro) e a conduta fim (latrocínio), devendo ser aplicado, portanto, o Princípio da Consunção, que consiste na absorção de crime menos grave, utilizado como meio que possibilita a consumação do crime mais grave que, no caso em tela, é o latrocínio”, explicou o juiz.

Segundo o Tribunal de Justiça, além das penas de reclusão, Danilo Eduardo de Medeiros e José Adailson de Farias terão que pagar, respectivamente, 10 dias-multa e 70 dias-multa, cada uma valendo 1/30 do salário mínimo vigente na época do crime.

g1

12/12/2016

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