Crítica: ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ começa nova franquia com o pé direito

Não era pouca a responsabilidade que a equipe de ’Animais Fantásticos e Onde Habitam’ tinha nas mãos. Além de satisfazer aos fãs de Harry Potter, o filme serve como ponto de partida de uma nova franquia, com outras quatro sequências já anunciadas para os próximos anos. E mais: tinha que fazer tudo isso sem parecer apenas uma jogada comercial, de olho no dinheiro do público, mas se justificar artisticamente.

O longa de David Yates cumpre tudo isso à risca. E, se não chega a surpreender, apresenta novos personagens e histórias que se seguram sem depender excessivamente da memória afetiva dos muitos seguidores do bruxinho criado pela escritora J.K. Rowling, desta vez roteirista do filme.

Eddie Redmayne (Oscar de ator por ‘A Teoria de Tudo’) faz o protagonista, o tímido e um tanto quanto atrapalhado pesquisador britânico Newt Scamander. De passagem pelos Estados Unidos, em 1926 (70 anos antes, portanto, de Harry Potter chegar à escola de Hogwarts), ele perde a maleta mágica que trazia com ele, e as criaturas mágicas guardadas dentro dela se perdem por Nova York.

A partir daí, ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ leva duas tramas distintas: uma mais lúdica, com a busca de Scamander por recuperar os bichos, e outra densa e sombria, próximo ao tom dos últimos filmes da franquia Harry Potter, com a comunidade de feiticeiros sendo vítima de uma perseguição política.

Esta segunda deve ser o mote também das próximas produções, já que oferece muito pano para manga. Há uma disputa de poder interno dentro da comunidade (que provavelmente irá se intensificar numa batalha entre forças do bem e do mal) e um equilíbrio delicado entre mágicos e humanos (os chamados trouxas, ou agora “não-majs”).

São temas recorrentes em filmes de super-heróis, principalmente em ‘X-Men’, e sempre rendem discussões interessantes. Porém, aqui, figuras ambíguas como Percival Graves (Colin Farrell), Credence (Ezra Miller) e a fanática antibruxos Mary Lou (Samantha Morton) são meros coadjuvantes, com suas histórias particulares pouco exploradas.

Talvez os fãs nem tenham preocupações tão profundas. Para eles, basta a dose de magia, os figurinos e cenários que recriam a década de 20 com elegância, os efeitos especiais e o humor discreto, representados desta vez pelos personagens Jacob Kowalski (Dan Fogler) e Queenie Goldstein (Alison Sudol). Nestes quesitos, o filme é irrepreensível.

 

Yahoo

16/12/2016

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