As festas de fim de ano e a luta de quem está internado

Enfermos falam do apoio de profissionais, que abdicam da família para ser um agente do cuidado

Dezembro chega com muitas baladas e opções variadas para curtir em família. Programações para todos os públicos, mas que não estão acessíveis a alguns profissionais da saúde e pacientes do Hospital Geral do Estado (HGE). E você pensa que eles estão frustrados? a busca pelo restabelecimento e a missão de cuidar falam mais alto.

Pelo menos é o que eles afirmam. Não é novidade que na pediatria voluntários criem ações que presenteiam e animam todas as crianças. A surpresa mesmo está em outras áreas do hospital, como na Ala G, que hospeda pacientes da ortopedia e é comum nela encontrar enfermos sofrendo com dores devido à recuperação lenta do aparelho locomotor.

O frentista Anderson Flor da Silva, de 26 anos, chegou ao HGE no dia 13 de outubro, após ser vítima de uma colisão contra um carro quando conduzia sua motocicleta na cidade de São Miguel dos Campos.

“Eu fui praticamente atropelado. Tive fratura exposta na perna esquerda e já contei sete cirurgias, faltam mais duas para ter alta. Como a recuperação é devagar e delicada, eu já sei que só sairei do hospital em 2017, mas não estou triste, pior seria se eu não tivesse estimativa para alta médica, ou perdesse a perna”, disse.

Anderson destaca que é preciso ter fé e paciência durante todo o processo de recuperação. “É dolorido, até parece ser injusto, mas eu prefiro enxergar o empenho de todos, familiares, amigos e a equipe do hospital, em me ver bem. Sou muito grato poder contar com toda essa assistência. Se não existisse esse serviço de qualidade, então eu poderia sim estar triste e agoniado por virar o ano em um leito de hospital; porém, nem dor eu sinto mais”, falou.

Segundo a médica Camilla dos Anjos, trabalhar no fim do ano desperta também o sentimento de fraternidade e certa valorização profissional, pois o lado humano é atiçado quando se percebe a importância de estar no plantão, naquele momento singular, a salvar ou reparar uma vida que não seria tratada sem a sua presença no exato momento.

“Quando nos formamos, nós sabíamos que teríamos que abdicar várias vezes de nossas famílias para cuidar do desconhecido. Faz parte do papel de qualquer profissional de saúde. É questão de profissionalismo”, defende a médica. “Para mim o plantão é como qualquer outro, apesar de que nós também criamos um momento de confraternização com os colegas”, ressaltou Camilla, que estará de plantão no Natal e réveillon deste ano.

De acordo com o Serviço de Arquivo Médico e Estatístico (Same) entre os dias 25 de dezembro de 2015 e 1º de janeiro de 2016 o maior hospital público de Alagoas, aberto 24h, assistiu 3.610 usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), número superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, 3.500.

Ainda conforme o Same, maioria dos atendimentos entre o Natal e Ano Novo envolveram casos clínicos (2.190 em 2014 e 2.367 em 2015), acidentes casuais (785 em 2014 e 828 em 2015) e acidentes de trânsito (292 em 2014 e 261 em 2015).

Thallysson Alves – Agência AL

17/12/16

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *