Acusação e defesa travam batalha no fim do júri da Viúva da Mega-Sena

Previsão é que julgamento avance pela madrugada desta sexta (16). Adriana é acusada de mandar matar o marido, que ganhou R$ 52 milhões.

Acusação e defesa travam uma intensa batalha no último dia do julgamento de Adriana Ferreira de Almeida, conhecida como “Viúva da Mega-Sena”, nesta quinta-feira (15) no Fórum de Rio Bonito (RJ). Pela acusação, a promotora de Justiça Priscila Xavier tenta comprovar a participação dela no assassinato do marido, Renné Senna, cometido em 2007. Já o advogado de defesa, Jackson Rodrigues, afirma que o MP não apresentou provas do envolvimento dela.

Adriana prestou depoimento mais cedo. Ela disse que gostava do companheiro mas admitiu que tinha um amante desde meses antes da morte de Renné, que ficou milionário após receber um prêmio de R$ 52 milhões na Mega Sena. Adriana disse ainda que não sabia que estava no testamento com direito a metade de tudo que ele deixasse. Falou ainda sobre uma cobertura em Arraial do Cabo comprada por ela, e alegou que era um presente do marido.

Depois de Adriana foi a vez da promotora Priscila Xavier falar pela acusação. Ela tentou desconstruir a versão de Adriana, começando pelo apartamento. Segundo a Promotoria, Renné não sabia da compra e ficou furioso quando foi comunicado pelo gerente da conta bancária conjunta entre o casal.

A promotora também refez a cronologia dos últimos dias que antecederam o crime. Disse, por exemplo, que Adriana teria trocado telefonemas com Anderson Souza, que foi condenado a 18 anos pela morte de Renné. O sigilo telefônico de Adriana foi quebrado durante o processo. Segundo a acusção, Adriana teria mandado matar Renné após ficar sabendo que ele pretendia retirá-la do testamento.

O advogado de defesa, Jackson Rodrigues, tenta convencer os jurados de que o Ministério Público não apresentou provas concretas da participação dela no crime. Após o fim da fala do advogado ainda estão previstas uma réplica da acusação e uma tréplica da defesa. Por fim, os sete jurados irão para a sala secreta votar sobre o caso, acompanhados do juiz Pedro Amorim Gotlib Pilderwasser, da promotora e do advogado da acusada. A previsão é de que o julgamento avance pela madrugada de sexta-feira (16).

Último dia
O último dia do julgamento de Adriana Ferreira de Almeida começou às 10h50. Adriana chegou ao fórum acompanhada dos advogados. As filhas de Adriana, e os irmãos e filha de Renné Senna também estão presentes no julgamento.

Após o interrogatório da ex-cabeleira, a promotora de Justiça Priscila Xavier irá se pronunciar sobre a acusação de homicídio qualificado contra Adriana. A promotora terá a palavra por uma hora e meia. O advogado de defesa terá o mesmo tempo. Ambos terão direito à réplica e tréplica. Por fim, os sete jurados irão para a sala secreta votar sobre o caso, acompanhados do juiz Pedro Amorim Gotlib Pilderwasser, da promotora e do advogado da acusada.

No segundo dia, quarta-feira (14), foram ouvidas oito pessoas, sendo três testemunhas de acusação e cinco de defesa. Entre as testemunhas ouvidas estava um gerente de banco que administrava uma conta conjunta entre Adriana e Renné Senna.

O gerente disse que os dois faziam retiradas na conta conjunta, mas Adriana era quem mais movimentava a conta, retirando cerca de R$ 10 mil por mês. Em um determinado momento, disse o gerente, Renné decidiu cancelar a conta.

Entre as testemunhas de defesa de Adriana estiveram os pais dela. A mãe, Creusa Ferreira, chorou ao falar da prisão da filha. Ela disse que o casal vivia bem e que a única discussão que presenciou na fazenda em que eles viviam foi entre Renné e o irmão dele. Ela falou também sobre um apartamento comprado por Adriana em Arraial do Cabo, e disse que seria um presente de Renné para ela, fato que foi negado pela irmã de Renné, que afirmou que ele teria ficado furioso ao saber da compra.

“Esperamos que a Justiça seja feita e que seja tudo resolvido para acabar com esse tormento da família”, disse o irmão de Renné, Carmo Senna, em entrevista à Inter TV.

O advogado de Adriana também falou com a reportagem. Ele lembrou do primeiro julgamento em que Adriana foi absolvida e que foi cancelado após um pedido do Minstério Público.

“Ela já foi submetida a um julgamento e a sociedade de Rio Bonito a absolveu. O MP conseguiu um novo julgamento e eu pensei que traria algo significativo, mas não tem nada de novo e não convence sobre a participação da minha cliente no crime”, declarou o advogad Jackson Rodrigues.

Entenda o caso
Adriana é apontada de ser mandante do crime, em 2007, contra o marido, Renné Senna, que ficou milionário após receber um prêmio da Mega-Sena. O primeiro dia de julgamento durou cerca de nove horas.

No primeiro dia do julgamento, duas testemunhas de defesa foram ouvidas primeiro. Por se tratarem de médico e cuidador de idoso, não poderiam aguardar os três dias previstos de julgamento. E entre as testemunhas de acusação estava Renata Senna, filha da vítima. Ela disse que o pai desconfiava que Adriana o traía e, em depoimento que durou três horas, afirmou que o pai iria tirar o nome da então esposa do testamento.A irmã de Renné Senna, Mirian Senna, afirmou que tudo indica que Adriana tem envolvimento no crime, e a família está angustiada com o caso, depois de quase dez anos.

“Esperamos que a justiça seja feita. Não aguentamos mais esperar por isso. A Adriana não precisava mandar tirar a vida do meu irmão. Que ela ficasse com o dinheiro e deixasse ele viver”, declarou.

Apontados como executores do assassinato de Renné, os ex-seguranças da vítima, Anderson Silva de Souza e Ednei Gonçalves Pereira, já foram condenados. Eles cumprem pena de 18 anos de prisão pelo crime.

Adriana chegou a ser presa em 2007, mas foi absolvida pelo Conselho de Sentença do Tribunal em dezembro de 2011. No entanto, ao julgar recurso ajuizado pelo Ministério Público, em abril de 2014, os desembargadores da Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) determinaram que ela fosse submetida a novo julgamento.

O crime
Na manhã do dia 7 de janeiro de 2007, Renné estava em um bar sem seguranças, próximo à sua fazenda, quando dois homens encapuzados chegaram numa moto e o carona atirou em Renné; ele morreu na hora.

As balas acertaram a nuca, a têmpora esquerda, o olho esquerdo e o queixo do milionário. A viúva Adriana foi acusada pela filha e pela irmã da vítima, Renata de Almeida e Jocimar da Rocha, de ser a mandante da execução.

Ex-lavrador, René Senna, ficou milionário em 2005, ao ganhar R$ 52 milhões no prêmio da Mega-Sena. Diabético, ele tinha perdido as duas pernas por causa de complicações da doença e morava em Rio Bonito.

Em 2006, começou a namorar a cabeleireira 25 anos mais nova que ele. Ela abandonou o emprego e foi morar com ele na fazenda avaliada em R$ 9 milhões, junto com dois filhos do primeiro casamento.

No dia do enterro, começaram as primeiras suspeitas da família do ex-lavrador contra a viúva, que tinha passado o Réveillon com um suposto amante em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio.

g1

15/12/2016

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